Por que você escreve?

Esse post faz parte de uma série de textos sobre o livro Grande Magia, da Elizabeth Gilbert.

Diz aí: por que você escreve?

O que te levou a escolher a escrita como profissão, ou o que levou você a almejar fazer isso da vida? Pessoalmente, meus motivos foram muitos: sempre escrevi, sempre quis contar histórias em papel, em determinado momento da vida consegui o tempo para isso, etc. Mas se cavar bem, se eu espremer todas essas razões e peneirar direitinho, o motivo é um só:

porque não tiro, de atividade alguma, o mesmo prazer.

E bem sabemos que quanto maior a paixão, maior a expectativa (e consequentemente a ansiedade), certo?

O fato é que não é fácil ser escritor.

Estava lendo o blog de uma escritora, dias atrás, e ela contava que havia colocado nos últimos meses a vida em modo de espera. Ela recebeu uma proposta de uma grande editora, e aguardou pacientemente a avaliação de seu original. Finalmente, meses depois, a resposta havia chegado. Sua obra foi rejeitada.

Na hora eu senti um calafrio na barriga. Levanta o dedo quem não esteve no lugar dela, e não sentiu o mesmo. Imaginei como devem ter sido esses meses de espera. As vozes embotando ao fundo, os ponteiros do relógio demorando uma eternidade entre os números, as partículas de pó dançando na sala, naquele filete de luz que entra pela janela. É assim que visualizo as esperas doloridas, aquelas realmente relevantes e que mexem como o espírito. Infelizmente para ela (mas mais ainda para o mercado), seu livro recebeu um não.

Ao mesmo tempo que acompanhava esse pequeno drama da vida real , lia no livro da Elizabeth Gilbert que uma amiga sua, quando adolescente, foi rejeitada pela equipe de patinação da qual fazia parte ‘porque nunca teria chance de ser uma competidora olimpica.’ Em outras palavras, disseram para a adolescente cheia de planos que ela deveria desistir porque nunca seria a melhor do mundo.

Bicho, que triste.

Gilbert continua o capítulo contando que trinta anos depois, tendo a amiga já construido uma carreira sólida e criado os filhos, decidiu que queria voltar a patinar. Três vezes na semana ela acorda cedo, despenca até o centro de patinação e patina pelo puro prazer de patinar.

Ela não quer largar o emprego, jogar tudo para o alto e viver de patinação. Ela não tem o interesse de treinar 12 horas por dia para ser uma campeã. Ela patina porque patinar faz com que ela se sinta viva, “mais que apenas uma consumidora ou a soma de suas obrigações e de seus deveres diários”. Ela está fazendo algo pelo simples prazer de fazer, porque tira dessa atividade um prazer que não tira de outras coisas. Ela está vivendo uma vida plena e criativa, deixando o que há de divino dentro dela se expressar.

“Essa história não termina com ela ganhando uma medalha, e na verdade essa história não termina”, continua Gilbert sobre a amiga. Patinar é pra ela a melhor maneira de revelar beleza e transcendência em sua vida, e ela quer passar o tempo aqui na terra fazendo que gosta de fazer. Se entendi bem o post da colega escritora, aquela da espera dolorida, a decepção a fez chegar à mesma conclusão: publicando ou não, ela continuará a escrever porque escrever é o que ela gosta de fazer.

E isso é tudo.

Por que eu escrevo, se gente bem mais talentosa pode contar minhas histórias melhor do que eu? Se ser publicada pode nunca acontecer? Se escrever anda na direção contrária à de ganhar dinheiro?

Não sei por que você escreve, mas posso dizer que eu escrevo pelo mesmo motivo que a moça da patinação patina e a garota do blog escreve: pela excitação das horas à frente em que vou poder escrever. Por que o que escrevo fica eternizado em algum lugar. Porque escrever é maneiro, e me dá um baita prazer juntar letrinhas.

E, é claro, porque resolvi silenciar minhas ansiedades.

Essa é a pergunta central desse post e do capítulo de onde ele foi tirado: Por que você escreve? Você conseguiria passar seu tempo fazendo coisa melhor?

1

É isso que Gilbert chama de magia, e o que separa uma existência mundana de uma existência mais mágica: você consegue se ver escrevendo pelo simples prazer de escrever? Tendo a coragem de trazer à tona os tesouros que estão escondidos dentro de você, pelo simples prazer de escavá-los?

Se sim, a mágica já está fazendo efeito na sua vida 🙂

É a sua vez, agora: Por que você escreve?

Um comentário em “Por que você escreve?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s