Estruture a sua história! O Terceiro Ato (Parte 6)

Finalmente!

Seu livro está chegando ao fim. É a hora do clímax, do momento mais antecipado do livro.

Com sorte, seus leitores estão tropeçando nas letras, pulando frases (geralmente descrições ou diálogos sem importância), correndo os olhos pelo papel para ler rápido a resolução final da confusão que você criou. (A gente poderia colocar a receita de polenta nos momentos que o precedem o clímax, e poucos perceberiam! – brincadeira, não faça isso.)

O clímax precisa ser recebido com o leitor sentado na borda do assento. Descabelado, sem fôlego e sem unha. Aguardando merecidamente o nosso melhor.

Você acha que fez bem em torturar seu leitor até aqui?

Fez, vai por mim.

Você não exagerou na dose?

Não. O leitor parece nervoso (acredite, um leitor ansioso para saber um clímax é um leitor que vai falar dessa ansiedade para pelo menos mais dois ou três leitores. Se postar no lugar certo, entre 3 a dez mil).

O que vai acontecer? O herói vai sobreviver? Vai salvar o mundo? Sua família, ou o cachorro????

É K. M Weiland quem responde: “O clímax é onde mostramos a que a história veio. A cena precisa mesmerizar os leitores, encanta-los com as idéias mais extraordinárias e imaginativas. Em vez de uma luta corporal, por que não uma luta corporal no topo de um trem em movimento? Em vez de uma declaração de amor, por que não uma declaração no meio de uma inauguração presidencial? Isso, naturalmente, não significa que devemos empurrar nossas histórias para o reino do surreal ou melodramático – até onde empurramos nossa história depende da nossa história e seu gênero. O ponto é trazer a história e seu conflito primário para o seu momento esperado de resolução irreversível de uma forma que cumpre todas as promessas do nosso livro.”

Seus leitores não esperam NADA menos que isso.

Por exemplo, em Um crime de mestre, o clímax se dá na delegacia. Todos estão prontos para jogar a toalha. Todos sabem quem matou a mulher, mas ninguém sabe onde está a arma do crime. Para aumentar ainda mais a agonia, o assassino liga para o promotor. Faz hora com sua cara, provoca-o. Diz que está saindo de férias, deseja a ele sucesso (em meio a seu pior fracasso)

Até que…

…ao se despedir do investigador do caso, o promotor troca sem querer o celular com seu amigo.

Simples assim, a ficha cai.

O quebra cabeça se fecha, o que significa que o vilão não tem para onde correr por que a inteligência dos mocinhos desvendou o truque. Briga sobre trens em movimento, fogos e explosões? Não… Apenas aquele brilho nos olhos de quem descobriu um plano quase perfeito.

E onde fica o clímax ?

O clímax ocorre muito próximo do final do terceiro ato. Mais frequentemente do que não, será a penúltima cena, imediatamente antes do desenlace. Ocasionalmente, as histórias incluirão um falso clímax, no qual o protagonista acha que terminou o conflito, apenas para perceber que ele não abordou a verdadeira força antagonista que se interpunha entre ele e seu objetivo. Por exemplo, em Toy Story, Woody e Buzz derrotam o vizinho, Sid, em um falso clímax, só para perceber que eles ainda podem perder a van que os levará para a nova casa de Andy.

Mais Exemplos?

Orgulho e Preconceito, Jane Austen (1813): Como na maioria das histórias românticas, o clímax desta novela clássica é o momento em que os pombinhos finalmente se encontram, admitem seu amor um pelo outro e resolvem o relacionamento.

No ficção-fantasia The Enders Game, depois que Ender e sua equipe graduam-se na Escola de Batalha, eles entram em uma nova série de jogos táticos, destinados a treiná-los para o dia em que finalmente enfrentarão os inimigos. Ender desencadeia o clímax quando decide quebrar as regras e destrói completamente o inimigo. Logo vem a revelação que ele não estava jogando , mas sim comandando as tropas que lutavam em tempo real.

E aí, como está o seu clímax? Tem algum exemplo de clímax impressionante? Comente!

No próximo post, A resolução!

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