ESTRUTURE SUA HISTÓRIA! O Primeiro Ato (Parte 1)

Atenção, povo: esse será de longe o post mais útil desse blog.

O motivo? Ele vai ensinar você a montar o ESQUELETO da sua história.

Esse esqueleto, no entanto, pode tomar formas diferentes. Aqui trataremos da estrutura dos Três Atos, uma das formas de estruturação de histórias.  Já usei essa estrutura em meus livros, como usei outras. Já falei sobre esse assunto anteriormente também, nos post aqui e aqui. De maneira alguma os posts são excludentes; eles são complementares. A estruturação em três atos não é minha estrutura preferida, mas é a mais fácil de usar. Para quem está começando, ela é perfeita!!

Tenho lido muitos livros técnicos sobre escrita ultimamente . Ando em um processo maluco de tentar entender por que o mercado vai lá fora arrematar em leilão títulos em dólar, quando temos no Brasil tantos autores bons. No entanto, os livros estrangeiros estão na dianteira porque tem algo que, em sua maioria,  os brasileiros não tem.

Eles são melhor estruturados. (podem jogar a pedras que já me escondi atrás de uma cadeira)

2970222j5qi92g5zp

Deixe-me explicar:

Lá fora, escrever é uma carreira. Você pode viver de publicar livros, isso existe e não é um sonho para três ou quatro autores brasileiros. Você tem uma industria séria e respeitosa que te dá suporte. Você tem agentes literários que analisam seu trabalho, e o deixam no formato perfeito para serem levados às editoras. Você tem editores que revisam o livro, dão pitaco, melhoram, aperfeiçoam. Quando o livro chega até você, ele vem livre de erros, inclusive erros estruturais.

Como competir com tudo isso? Quem revisa nossos livros? Quem tenta aperfeiçoá-los?

Não me entendam mal, não costumo generalizar, é só uma impressão. Na verdade, é uma opinião. Quem discordar que escreva ali nos comentários o porque discorda, que tal? (Super aberta a conversas desse lado, avisando logo que AMO esse assunto, e ADORARIA trocar ideias sobre isso, por que, se vc também adora esse papo como eu, sabe que escrevi apenas o topo do topo do topo do iceberg dos motivos que levam as editoras brasileiras a escolherem títulos estrangeiros, recusando-se a aceitar –inclusive passar o olho — em manuscritos de autores brasileiros) Enfim, esse site não tem um divã no nome à toa.

Voltando: Ultimamente tenho tido a impressão de que nos falta TÉCNICA.

Não nos falta criatividade, nem estilo, nada disso. Nos falta técnica mesmo. Por exemplo, hora de começar e hora de terminar um parágrafo. Hora de encerrar o primeiro ato, hora de encerrar o segundo. Clímax no momento certo. Tema definido. Sinopse bem feita. Falta técnica, pessoal.

Como o intuito do post é ajudar aspirantes a escritores a melhorar sua estrutura,  fui atrás da Kate Weiland, autora suuuper legal que já me inspirou outras vezes aqui. Achei no seu site (helpingwritersbecomeauthors.com) o macete para estruturar histórias. Por isso resolvi traduzi-los e coloca-los aqui.

A ESTRUTURAÇÂO.

A estrutura de história que a autora nos apresenta é essa:

PRIMEIRO ATO

O GANCHO

SET-UP (personagem, mundo, o que está em jogo)

EVENTO INCITANTE E O EVENTO CHAVE

SEGUNDO ATO

PRIMEIRA PARTE DO SEGUNDO ATO

O MEIO /A METADE

A SEGUNDA METADE DO SEGUNDO ATO

TERCEIRO ATO

O CLÍMAX

A RESOLUÇÃO

Por isso resolvi hoje começar uma série de post e cobrir TODAS essas etapas.

Todas??!!

Sim, todas.

Não há nada mais frustrante que escrever uma história, sentir que há algo errado nela , tentar arruma-la e não conseguir. Estruturação de história a gente precisa fazer antes de terminar o livro, para não deixá-lo como o Frankenstein (não a obra literária, o monstro mesmo)

Como esse é um assunto longo, dividirei os post. Hoje ficamos no PRIMEIRO ATO.

NÃO TEM JEITO MAIS SIMPLES QUE ESSE DE COMEÇAR:

P.: O que o primeiro ato deve ter? Qual é a sua função?

R.: A função do primeiro ato é apresentar e encantar.

O primeiro ato é onde você encanta o leitor. É onde você mostra a voz e a que veio.

É onde você dá o seu melhor (mentira: você tem que dar o seu melhor e algo mais)

O primeiro ato começa com o gancho.

1. O GANCHO

O que é o gancho? O gancho é um ANZOL. Um CHAMARIZ. Nessa parte da história, você vende o seu peixe.

Tenha em mente a seguinte informação: o primeiro ato compõe os 25% iniciais da sua história, e o gancho é o iniciozinho desses 25%. Ele é aquela ideia inicial, já falada em posts anteriores. É a sua frase de abertura, seu parágrafo inicial. A apresentação da história ao leitor.

Ele pode ter muitas formas, mas é, basicamente , uma pergunta. Se você capturar a curiosidade do leitor, você o ganhou.

No gancho (que se mistura um pouco com caracterização do setting e dos personagens) você tem um pequeno desafio: você precisa apresentar

O PERSONAGEM,

bella-swan-and-splendid-thermal-crew-neck-long-sleeved-top-gallery

A LOCALIDADE (o mundo onde a história está se passando) e

imageA

O CONFLITO.

cullen-family-lunch-twilight

Sozinhos, nenhum deles é o gancho

O gancho só passará a existir se nós convencermos os leitores a se perguntarem: “O que será que vai acontecer?”

O que será que a família pálida e estranha tem? Será que o garoto que nunca deu papo para ninguém vai dar papo para a Bella? E por que tanto mistério envolvendo seus membros?

A fim de manter seu leitor engajado, você precisará apresentar esse gancho cedo na sua história. Mas cuidado! O gancho não pode ser colocado ali artificialmente fazendo parecer que você está seguindo uma fórmula: ele precisa ser orgânico. Precisa fluir dentro do texto, surgir naturalmente.

Outra coisa a respeito do gancho: ele não pode tentar enganar o leitor prometendo mundos e fundos e não cumprir , nem mesmo faze-lo perder um tempo danado tentando imaginar o que você está querendo dizer. Lembre-se sempre de que o leitor pegou o seu livro e está cogitando seriamente levar o outro, (aquele ali, parado do lado.) Se você não arrebentar ali, na introdução, na sinopse, no texto da orelha ou na contracapa, ele vai fechar seu livro e partir para outro.

Continuando. Apresentado o gancho, você fisgou o leitor.

EEEEEHHH!

Ele decidiu dar uma chance à sua história por que se interessou por ela!  Resolveu sentar no sofá da confortável livraria e se debruçar sobre o seu primeiro ato.

E agora? O que seu livro precisa ter para esse hipotético leitor fechar a compra, e ir embora com o seu livro debaixo do braço?

Bem, é aí que você precisa puxá-lo para o seu mundo, aprofundar os personagens, o mundo do personagem, o que está em jogo na história. Os leitores precisam ganhar nesses 20-25 % da história um MOTIVO PARA SE IMPORTAREM com seus personagens.

Assim que vc aguçar seu senso de curiosidade, você precisará criar uma conexão emocional entre os personagens e o leitor.

Ou vai dizer que o motivo mais que babado garoto-fofo-percebe-a-menina-sem-graça não fez milhares de meninas continuarem a ler Crepúsculo? 

É aqui que você …

2.  APRESENTA O PERSONAGEM , O MUNDO ORDINÁRIO E O QUE ESTÁ EM JOGO

Segundo Anton Chekhov, “se você apresenta no primeiro ato uma pistola, certifique-se de que no próximo ato ela será disparada. ”

O que isso quer dizer?

Que o que vem no primeiro ato e o que vem no segundo precisam estar ligados. O primeiro ato está ali para apresentar ao leitor o que futuramente será usado para a ação. No primeiro ato, os elementos são inocentes e improváveis de ser especiais. No segundo ato, eles mostram a que vieram. (Ex? Conhecer a família de Jacob. Mais tarde vai fazer todo o sentido Bella ter sido apresentada à família deles. Já pensou que péssimo seria se Jacob só aparecesse na segunda parte, quando Bella tenta entender o que são os Cullen? Se vc não viu ou leu o filme/livro, sugeriria que lessem/vissem para entender a estrutura dos três atos. )

Para a autora Kate Wiesland, do blog helpingwritersbecomeauthors.com, “se você vai fazer um personagem disparar uma pistola, essa arma deve aparecer no primeiro ato.”

Deu pra entender agora, não? Com exemplos tudo fica mais fácil, não é?

Então, vamos lá, resumindo: o que podemos tirar de lição do primeiro ato?

  1. O primeiro ato é uma exposição geral. O que for acontecer mais à frente precisa ser abordado/mencionado/ter um significado na primeira parte.
  2. Se o gancho fizer o seu trabalho, você pode seguramente retardar a ação para introduzir cuidadosamente o mundo e aprofundar seus personagens.
  3. Os pontos mais marcantes da personalidade do protagonista, suas motivações e crenças devem ser apresentados aqui.
  4. Os pontos pertinentes do mundo onde o personagem está devem ser mostrados para que você não precise desacelerar no segundo ato para explica-los.(Lembre-se: no segundo ato, você quer ação!)
  5. Certifique-se de cada cena conte para a história. Cada cena deve ser uma peça de dominó que bate no próximo dominó, derrubando as peças diante. Nunca inclua uma cena linda e sem função no livro. Ela pode até ser linda, mas continuará sem função.
  6. O primeiro 1/4 do livro constrói a base de toda a sua história. Uma base fraca irá derrubar até o mais brilhante de conflitos e clímax. Faça o seu trabalho de base, configure todas as suas peças do jogo necessárias e os leitores terão VONTADE de descobrir o que acontece com seus personagens maravilhosos.

No próximo post, continuação do primeiro ato! Falaremos sobre o primeiro ponto de virada, que decidirá o fim da primeira parte. Obrigada por lerem e compartilharem!

 Que tal deixar seu comentário?

2 comentários em “ESTRUTURE SUA HISTÓRIA! O Primeiro Ato (Parte 1)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s