Como escrever o enredo perfeito

 

Tenho certeza que você clicou nesse post cheio de expectativas. Eu sei: até eu, depois que escrevi o título, tive vontade de pegar um caderno e começar a estruturar a minha história.

Sorte sua que esse é um daqueles sinais na estrada que apontam direitinho a direção para onde ir. A estrada é tortuosa, mas recompensadora até o final da vida.

Vamos começar entendendo o que é um enredo?

Enredo é a sucessão de acontecimentos que constituem a ação de um livro. É a trama da coisa toda. Mas o que ele precisa ter?

1) um objetivo;

  • O  que seu protagonista mais quer no mundo?

2) obstáculos e conflitos a serem superados ;

  • Sem conflito você não tem um romance, e sim um relato)

3) o clímax;

  • Ponto em que a ação atinge seu momento crítico, momento de maior tensão;

4) Um desfecho

  • solução do conflito produzido pelas ações dos personagens.

 

Ah, então tá, entendi. Não preciso me preocupar, minha história tem tudo isso e muito mais. 

É a hora de me colocar como advogado do diabo e perguntar: será?

Vamos colocar sua história à prova?

Vamos fazer o seguinte teste: ao descrever sua trama, quantas palavras você usa?

Segundo estudiosos no assunto, a descrição da trama deverá caber em uma ou duas frases. Se um enredo exige mais do que duas dúzias de palavras para ser descrito, ele é muito complexo.

A trama principal deve ser simples; a história, complexa.

Às vezes, nós não entendemos o conceito de nossa própria história. O que ela é? Ela é uma imagem cristalina na mente ou uma ideia difusa, um tema difícil de explicar na nossa cabeça? É um parágrafo bem estruturado ou só um conjunto de eventos ligados, que não formam uma figura final?

Quando você olha à distância sua história, você vê acontecimentos encaminhando-se para o desfecho, um círculo se fechando, um sentido sendo criado, uma grande resolução chegando ao grand finale?

Agora essa Karina me irritou.

Se você está irritado por que antes achava que tinha um enredo e agora não tem mais certeza, é porque colocamos o dedo na ferida. É aí que está o problema.

Como assim, saber o final? Minha escrita é orgânica, o final vai vir com os acontecimentos!

A turma do “deixa fluir” não vai gostar desse blog… Porque eu não acredito em escrita que “flui” à medida que escrevemos. Acredite, um dia eu acreditei e tive que jogar 100.000 palavras do que havia escrito fora. CEM MIL PALAVRAS! Isso é um livro, e dos grossos! Foi tempo que eu não tinha, desperdício de tudo!  Desde então, acredito em planejamento. Você pode até ser um gênio, e elaborar uma história fabulosa sem jamais te planejado nada (Se esse é o caso, acho difícil que esteja aqui lendo técnicas.) A maioria de nós precisa de organizar.

Voltando ao ponto onde paramos:

O problema do enredo é que estamos próximos demais da nossa história para ver seus defeitos. Não conseguimos visualizá-la à distância e os pontos cegos não ajudam.

Alguns perigos escondem-se justamente onde você acha que está seguindo a fórmula de sucesso: o seu meio tem conflito, eles estão bem amarrados, tem ação, movimento, nada está parado. Não fiquem bravos comigo, mas às vezes, um monte de conflitos aleatórios amarrados podem estar servindo apenas para  encompridar a história.

Mas como entender melhor nossa história? Como ter uma imagem cristalina dela?

De acordo com o site helpingwritersbecomeauthors, você precisa de duas coisas:

1) Fazer o início de sua história preparar o seu final.

Não importa se você é um planejador ou um escritor que deixa fluir. Em algum momento você precisará se certificar de que seu início e o fim estão ligados. Se você começa a sua história com uma pergunta, o final deverá ser a resposta.

2) Ter certeza de que TODAS AS SUAS CENAS movem o enredo adiante.

Cada cena deve ser estruturada para avançar a história. Se o seu protagonista e antagonista encontrarem-se ao longo da história em sequências episódicas que são basicamente uma repetição da outra, então você precisa se perguntar: minhas cenas estão movendo adiante o enredo? Ou estão apenas ali para preencher o espaço antes do clímax?

Mas e aí? Só isso?

Preciso de mais diiiiicas!!!

E nós temos mais dicas!!

O site writersworkshop.com, por exemplo,  lista 7 regras para conseguir um enredo perfeito. Preparados para checar se sua história está nos trinques?

1) O protagonista deverá ter uma motivação central.

Casar, salvar o mundo, superar a morte do pai. O principal é que ela tem que ser clara. E realmente importante para el@!

2) O objetivo do protagonista tem que ser conhecido o quanto antes.

No capítulo um, de preferência. A meta pode mudar? Pode, mas a motivação básica por trás do objetivo, não.

3) O perigo deve aumentar.

No início de um romance, o objetivo é que importa. No final, o objetivo tem que importar mais do que qualquer outra coisa no mundo.

4) Cada cena e cada capítulo deverá desequilibrar o (mundo do) protagonista.

As coisas podem ficar melhores ou piores, mas precisam estar constantemente mudando. Se o protagonista está na mesma posição no final do capítulo que estava no início, então você precisa eliminar o capítulo. Mudança & desequilíbrio é o coração do drama. Sua história tem que se mover; caso contrário ele morre. (Nota pessoal: peraí que vou ali rasgar alguns capítulos e já volto)

5) Não gaste tempo longe da trama principal.

Fale sobre as outras sub-tramas, mas não gaste tempo demais com elas. Se você escrever mais de 300 palavras sem tocar a trama principal adiante, volte e comece a editar.

6) Pense em estruturas clássicas.

Na famosa análise de arquétipos de Campbell (Nota: Falaremos sobre isso!!!), ele normalmente identifica (1) o convite – onde o herói é convidado a assumir o desafio, (2) a recusa – o herói diz não, (3) a aceitação – algo acontece para mudar o mente do herói, (4) a aventura – o herói procura dominar o desafio (5) a falha – tudo vem à cabeça e parece que o herói falhou, então (6), o triunfo – justamente quando tudo parece perdido, o herói triunfa. Mas tem que ser assim? Sim. Você não pode eliminar 2000 anos de tradição em contar histórias, a menos que seja Kafka.

7) Controle seus personagens.

A maioria dos romances têm apenas um protagonista central. Se você quer múltiplos protagonistas, então não vá para mais de três. E certifique-se de que cada um desses 3 histórias obedece às regras  acima. Não há atalhos, nem desculpas. Esta é uma área que você não pode se dar ao luxo de estragar.

 

Nos posts sobre estrutura, você vai entender como um enredo deve caber dentro de um modelo de histórias. Isso vai ajudar você, escritor, a moldar melhor as cenas e fixar os “marcos” estruturais da sua narrativa. Clique na categoria estrutura, a gente se vê por lá!

Fontes: http://www.brasilescola.uol.com.br; Wikipedia; http://www.tameri.com; http://www.writersworkshop.co.uk , http://www.helpingwritersbecomeauthors.com/write-perfect-plot-2-easy-steps/

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